domingo, 26 de outubro de 2008

Aos 14

Eu devo tar ficando velha, preciso exercitar minha paciência. Porra, é muito engraçado voltar aos lugares que se ia há uns anos atrás depois de passado um tempo, por mais curto que seja.
Tô ficando tão velha que tô evitando até me meter em muvucas com muitas pessoas em lugares que não sejam legais. Gosto ainda de ir em shows, mas tenho ficado muito irritada dentro de shopping center. Tô ficando velha mesmo, e nem dezoito eu tenho ainda.
É olhar as meninas com 12, 13 e ver que eu era meio assim e me achava superiormente interessante e cheia das diferenças maiores do mundo. Quando na verdade, não tem nada de muito original na pré-adolescência hoje em dia. E nem na pré-adultice dos 17 não, viu.
As pirralhas gritam por tudo, riem de tudo, gesticulam muito e mexem demais no cabelo. Porra, eu não queria tar assim não véi, acho que não chegou a idade da compaixão ainda, tomara que ela chegue, porque é uma merda ter vontade de enfiar essas pós-púberes numa caixinha e tudo mais.
Me sinto um cú de ficar achando essas coisas, até porque eu tenho certeza que vou achar o mesmo de mim daqui há bem pouco tempo, mas é que ter que ficar dentro de um shopping por mais de 5 horas ontem pra mim foi maior do que meus hormônios reguladores de temperatura puderam suportar. E eu ainda fui ver High School Musical, QUÃO FUDIDA AM I né vei.
Dá muita vontade de abraçar essas pirralhas e dizer pra elas que vai passar, véi. Que não precisa nem crescer muito pra começar a sentir preguiça de se cansar das coisas ou reclamar, ou que nem precisa ter lá maiores experiências de vida pra saber que não adianta você usar um botton do Led Zeppelin na mochila, VOCÊ NÃO VAI ARRUMAR UM NAMORADINHO POR CAUSA DISSO (essa foi a pior das minhas constatações), pessoas não vão gostar mais de você por causa da bem-boladez das suas pulseiras.
Dá vontade de dizer pra elas também que não é bom pintar tanto o cabelo com cores legais, vai ter uma hora que ele estragar bem muito e ficar que nem o meu, e vai ser meio irreversível, porque você vai sentir tanta preguiça de cuidar e vai se achar tão genial pelo fato de não querer saber do seu cabelo, que aí mesmo que não vai cuidar desse monte de pêlo em sua cabeça.
Crescer é legal, afinal de contas. Devo tar ficando muito reclamona, mas só sei de tudo isso porque há nem tanto tempo atrás era eu quem estava correndo afoita num shopping ou tentando anarquizar uma fila de cinema só pra pagar de mizerê.
Um grande agradecimento aos meus aturadores de 2005's e afins, e desde já aos aturadores dos 2008's.

Velha dá pra ficar, tomara que eu não fique rabugenta.

5 comentários:

SPS disse...

Pere, tu foi assistir HSM?! VÁ SE LASCAR...

É... é a vida.

Maria Garcia disse...

Taí, gostei do texto. Também tive minha fase "idiota de shopping" e o máximo que posso aguentar é ver uma sessão de cinema e comer alguma coisa. Ainda bem.
Bom texto

Victória Yey Felton disse...

!

Tibea disse...

De nada, realmente te aturar esse ano foi difícil. Mas, terei prazer de repetir isso em 2009.
Beijos gata!

Jana disse...

pode ser realmente estranho, ou até insuportável observar que a gente não era tão tão quanto a gente achava ser antigamente. Talvez não tenhamos mais coragem de fazer tudo o que fazíamos antes, e talvez isso nos faça sentir mais confortáveis por não sermos mais assim ou estúpidas por termos sido assim... Mas acho que importante nisso tudo é: saber que mudamos, não importa se pra melhor ou pra pior, mas somos diferentes de antes... e saber que, apesar de não acharmos mais tão divertido o que fazíamos antes, pelo menos, naquela época, aquilo foi divertido. Como não tem jeito de mudar tudo isso, faz bem ver o quanto idiota éramos a ponto de nos divertir com coisas bestas que hoje não fazem mais sentido, mas que na época faziam algum sentido e, talvez tenha nos dado alguma alegria ou esperança
parece baboseira tudo que eu falei aqui, mas ainda lembro com muita alegria do estréia de harry potter ^^